Heróis

Emilie Engel (1893 - 1955)

Emilie Engel nasceu a 6 de Fevereiro de 1893 em Husten, uma pequena cidade da Alemanha central. Era a quarta dos doze filhos de uma família de agricultores. Os pais, profundamente religiosos, deram aos filhos uma formação religiosa profunda, num lar onde reinavam o amor, a paz e a alegria. Concluído com resultados brilhantes o curso para o magistério primário, Emilie dedicou-se de alma e coração ao ensino e aos seus alunos. Em 1921 tem o primeiro encontro com o a espiritualidade mariana e com fundador de Schoenstatt, P. José Kentenich. A abertura e docilidade com que segue a sua orientação conduzem-na, passo a passo, da angústia do medo ao abandono à Providência amorosa de Deus, à confiança total no amor misericordioso de Maria. Em 1926 deixa o ensino público e muda-se para Schoenstatt, onde se põe ao dispor do Padre Kentenich para a fundação do Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Reveste cargos de responsabilidade na formação das irmãs e no governo da jovem fundação. Em 1927 oferece-se a Deus como holocausto pela santificação da comunidade. Na alegria da entrega total, suporta serenamente a tuberculose pulmonar que a fez passar quatro anos em sanatórios e hospitais e submeter-se a dolorosas operações. De regresso a Schoenstatt, assume, embora debilitada, novos encargos de responsabilidade ao serviço da comunidade. A sua saúde vai-se deteriorando cada vez mais, até Irmã Emilie ficar totalmente paralisada. Na fase final da sua vida já só consegue movimentar a mão direita. Pouco dia antes de morrer, apesar das muitas dores e dificuldades respiratórias, escreve com um estilete num quadrinho de cera: “Eu não permito que critiquem o bom Deus. Dei-lhe carta branca e Ele pode fazer de mim o que quiser...”.
Quem de nós não procura dissimular os medos e as angústias que se apoderam do nosso coração? Podemos conseguir escondê-los. Mas como libertar-nos deles? – A vida de Irmã Emilie abre-nos o caminho que conduz do medo à confiança: O abandono à Providência amorosa de Deus, nosso Pai. A entrega confiante a Maria, Mãe de Misericórdia.

Aos seis anos, Emilie refugiava-se na penumbra do vão da escada porque tinha medo. Medo do inferno. Medo da justiça e dos castigos de Deus. Medo do futuro. Passou anos dominada esta angústia; torturada por escrúpulos. No fim da sua vida, no entanto, vitimada por uma paralisia que lhe dificultava até a fala, dita as seguintes palavras de despedida às irmãs: “Louvada seja a Providência Divina na minha vida. Louvada seja a misericórdia de Deus e de Nossa Senhora na minha vida...! Quero cantar por toda a eternidade os louvores do amor misericordioso do Pai e da Mãe do Céu – quero ser um sacrifício de louvor à misericórdia.”

A 12 de Fevereiro de 2002 a causa de beatificação de Irmã Emilie foi encerrada na diocese de Treveris, na Alemanha, e vai agora ser submetida em Roma à Congregação para as Causas dos Santos.